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Beach Tennis · 11 min de leitura · 1.371 palavras

Beach tennis: as lesões mais comuns (e o que fazer pelo seu corpo entre os jogos)

Beach tennis não machuca a perna — machuca o cotovelo e o ombro. Revisão honesta do que a epidemiologia mostra (estudo brasileiro com 698 jogadores), por que a areia é faca de dois gumes, e onde a massagem realmente ajuda — e onde ela é só adjuvante. Pra quem joga 2-3x na semana em Palmas.

Vida em Equilíbrio · Revisão clínica·Publicado em 23 de junho de 2026

Resumo executivo

No maior estudo de lesões em beach tennis (Rodrigues et al, 2024, 698 jogadores brasileiros), as queixas mais comuns são de COTOVELO (23,4%) e OMBRO (14%) — não de perna. O padrão é claro: membro superior sofre lesão crônica (tendinopatia), membro inferior sofre lesão aguda (entorse). A areia é faca de dois gumes: reduz o impacto nas articulações, mas aumenta a carga muscular e o gasto de energia em até 2-2,7x, cobrando caro da panturrilha. A verdade sobre a massagem: pra TENDINITE (cotovelo/ombro), o tratamento principal é exercício de carga — a massagem ajuda na dor como adjuvante, não substitui o fortalecimento. Pra FADIGA e dor muscular depois de jogar, a massagem tem evidência sólida. Maior fator de risco: jogar muito (frequência alta, sessões longas) sem preparo de força.

O beach tennis virou febre em Palmas — e com ele chegou uma fila de gente com o cotovelo doendo, o ombro travado e a panturrilha gritando no dia seguinte. A boa notícia: a literatura sobre as lesões do esporte, embora nova, já é clara o bastante pra você jogar mais e se machucar menos. A má notícia pra quem vende solução mágica: massagem não cura tudo, e a areia não é tão inofensiva quanto parece.

Este texto reúne o que os dois principais estudos de lesão em beach tennis mostram (um brasileiro de 2024, um francês de 2019), apoiados na literatura de esportes de raquete e de exercício na areia. Sem hype.

1. Onde o beach tennis realmente machuca

Esqueça a ideia de que esporte de areia "é de perna". O padrão que aparece nos dois estudos sérios é o oposto.

No maior deles — Rodrigues e colegas (2024), na Acta Ortopédica Brasileira, com 698 praticantes — as áreas mais lesionadas foram:

Região Frequência Tipo predominante
Cotovelo 23,4% Crônica (tendinite — 80% dos casos)
Ombro 14% Crônica (tendinopatia)
Joelho 11,7% Aguda (entorse/contusão)
Tornozelo 8,9% Aguda (entorse)
8,9% Variado

O estudo francês de Berardi e colegas (2019), com 206 jogadores, encontrou o mesmo desenho: o ombro foi a área mais lesionada, e a regra geral ficou nítida — membro superior adoece de forma crônica (tendinopatia de cotovelo e ombro); membro inferior se machuca de forma aguda (entorses).

Tradução: o que tira você da quadra a longo prazo nasce em cima, no gesto repetido do saque e do smash — não embaixo.

2. O cotovelo: a lesão número 1

A famosa "epicondilite" (o cotovelo de tenista, na face lateral; ou o cotovelo de golfista, na medial) é a campeã. No estudo brasileiro, 80% das queixas de cotovelo eram tendinite.

O mecanismo é sobrecarga repetitiva: os tendões dos músculos do antebraço (que estendem e estabilizam o punho) são puxados milhares de vezes por treino. Empunhadura tensa demais e backhand mal executado são os gatilhos clássicos.

E aqui vem a parte que diferencia conversa séria de propaganda: o tratamento principal da epicondilite NÃO é repouso passivo nem massagem. É exercício de carga, especialmente excêntrico. A revisão de Karanasios e colegas (2021) aponta o exercício excêntrico como tratamento de primeira linha pra tendinopatia lateral do cotovelo.

A massagem entra como adjuvante — ajuda a aliviar a dor e a soltar a musculatura do antebraço em volta, o que melhora o conforto pra você conseguir fazer o fortalecimento. Mas ela não substitui a carga. Quem te promete "curar a tendinite só na massagem" está vendendo o que a evidência não sustenta.

3. O ombro: o preço do smash

O movimento overhead repetido — saque, smash — gera microtrauma no manguito rotador. Por isso o ombro aparece no topo dos dois estudos.

A lógica de tratamento é a mesma do cotovelo: a base é exercício terapêutico (fortalecer manguito e escápula, recuperar amplitude de rotação). A terapia manual é adjuvante. A meta-análise de Desjardins-Charbonneau e colegas (2015), no JOSPT, foi honesta sobre isso: somar terapia manual ao exercício reduz a dor na tendinopatia do manguito, mas não está claro que melhore a função, e a qualidade da evidência é de baixa a moderada.

Ou seja: a massagem alivia e acompanha o tratamento. O fortalecimento resolve.

4. A areia: a faca de dois gumes

Todo mundo diz que jogar na areia "é mais saudável porque não tem impacto". É meia verdade — e a outra metade explica a sua panturrilha destruída.

O que a areia poupa: a superfície fofa reduz a taxa de carga sobre as articulações. Menos impacto repetitivo no joelho e no tornozelo do que numa quadra dura (Jafarnezhadgero, 2021).

O que a areia cobra: ela aumenta brutalmente o trabalho muscular. Andar na areia custa de 2 a 2,7 vezes mais energia que em piso firme; correr, cerca de 1,15 vez mais trabalho mecânico (Lejeune e colegas, 1998). E esse custo extra recai sobre os músculos — sobretudo panturrilha e gastrocnêmio, que precisam empurrar contra uma base que cede a cada passo (Jafarnezhadgero, 2021; Grant e colegas, 2022).

Resultado prático: menos lesão de impacto, mais fadiga e sobrecarga muscular — e o tornozelo ainda corre risco de entorse pela instabilidade da superfície (8,9% das lesões no estudo brasileiro). A areia não é inofensiva; ela só troca o tipo de cobrança.

5. Onde a massagem REALMENTE ajuda (e onde não)

Esta é a seção mais honesta do texto, e a que mais importa pra você decidir o que faz sentido.

Pra tendinite (cotovelo, ombro): a massagem é adjuvante. Alivia a dor e relaxa a musculatura em volta, o que ajuda — mas o tratamento que resolve é o exercício de carga (Karanasios, 2021; Desjardins-Charbonneau, 2015). Não troque o fortalecimento pela maca.

Pra fadiga e dor muscular (a panturrilha e o corpo moído depois de jogar): aqui a massagem brilha. A meta-análise de Guo e colegas (2017) mostra que a massagem alivia a dor muscular tardia (DOMS), com efeito máximo por volta de 48h pós-esforço, e ajuda a recuperar força. É exatamente o tipo de queixa que o beach tennis na areia gera.

Resumo sem rodeio: massagem é ótima pra recuperar músculo cansado; pra tendinite, ela ajuda mas não é o tratamento principal. Saber a diferença evita você gastar dinheiro esperando da massagem o que ela não faz — e aproveitar de verdade o que ela faz bem.

6. Como jogar 2-3x na semana sem se quebrar

O fator de risco número um, no estudo brasileiro, foi carga: jogar muitas vezes por semana, sessões acima de 3h, e voltar cedo demais de uma lesão anterior (quem já se lesionou tem alta chance de reincidir).

Pro amador, o que a evidência sugere:

  • Fortaleça antes de aumentar o volume, não depois de lesionar. Excêntrico de punho/antebraço pro cotovelo, fortalecimento de manguito e escápula pro ombro. É chato, mas é o que previne (Karanasios, 2021).
  • Respeite um teto. 2-3x por semana com sessões controladas é mais seguro que jogar todo dia 3h+. Frequência alta sem preparo = receita de tendinite.
  • Trate a panturrilha como o motor que a areia exige. Aqueça e fortaleça; espere fadiga maior do que sentiria numa quadra dura.
  • Cuide do tornozelo. Trabalho de equilíbrio e propriocepção é prevenção lógica de entorse em superfície instável.
  • Técnica antes de volume. Os recreativos se lesionam MAIS que os profissionais por hora jogada — empunhadura tensa e gesto ruim de saque/backhand sobrecarregam cotovelo e ombro.
  • Use a massagem na recuperação muscular, na janela em que ela rende: depois dos jogos mais puxados, pra soltar pernas e corpo.

7. Quando parar e procurar avaliação

Nem toda dor é "do treino". Bandeiras vermelhas:

  • Dor no cotovelo ou ombro que persiste e piora ao longo das semanas — tendinopatia instalada pede avaliação e um plano de carga, não só gelo e torcida.
  • Dor aguda e localizada num gesto específico (estalo no tornozelo, fisgada na panturrilha) — pode ser entorse ou estiramento; nas primeiras 48-72h, nada de massagem profunda na área.
  • Perda de força ou amplitude que não volta.

A regra: músculo cansado e dolorido difuso combina com recovery; dor articular/tendínea que não passa combina com avaliação.

8. Beach tennis em Palmas

A cena cresce rápido aqui — orla, arenas, torneios quase todo fim de semana. E o calor de Palmas adiciona um fator: jogar no sol forte acelera a fadiga e a desidratação, o que pesa na recuperação. Hidratar e dar ao corpo o descanso entre as sessões deixa de ser detalhe.

Se você joga com regularidade, dá pra montar um cuidado em volta da sua rotina: recovery muscular nas semanas mais puxadas, atenção ao cotovelo e ao ombro antes que virem crônicos. Cada jogador chega com uma queixa diferente — a conversa antes da sessão decide o que faz sentido pro seu caso. Chama no WhatsApp que a gente desenha isso junto.

Perguntas frequentes

Respostas curtas pras dúvidas mais comuns sobre o tema.

Qual a lesão mais comum no beach tennis?

+

O cotovelo. No maior estudo brasileiro (Rodrigues et al, 2024, com 698 jogadores), 23,4% das lesões foram de cotovelo — a maioria tendinite (epicondilite). Logo depois vêm ombro (14%), joelho e tornozelo. O padrão é claro: membro superior sofre lesão crônica por sobrecarga (cotovelo e ombro), e membro inferior sofre lesão aguda (entorse).

Massagem cura a tendinite do cotovelo (epicondilite)?

+

Não sozinha. O tratamento principal da epicondilite é exercício de carga, especialmente excêntrico (Karanasios et al, 2021). A massagem ajuda como adjuvante — alivia a dor e relaxa a musculatura do antebraço em volta, o que melhora o conforto pra você conseguir fazer o fortalecimento. Mas ela não substitui o exercício de carga. Quem promete curar tendinite só com massagem está vendendo o que a evidência não sustenta.

Jogar na areia é mais seguro porque não tem impacto?

+

É meia verdade. A areia reduz a taxa de carga sobre as articulações (menos impacto que quadra dura), mas aumenta muito o trabalho muscular: andar na areia custa de 2 a 2,7 vezes mais energia (Lejeune et al, 1998), recaindo sobretudo na panturrilha. Ou seja, a areia troca lesão de impacto por fadiga e sobrecarga muscular — e o tornozelo ainda corre risco de entorse pela instabilidade.

Por que minha panturrilha fica tão cansada depois de jogar?

+

Porque a areia cede a cada passo e o músculo precisa empurrar contra uma base instável, recrutando muito mais a panturrilha e o gastrocnêmio (Jafarnezhadgero, 2021; Grant et al, 2022). É carga muscular alta, não impacto. Aquecer e fortalecer a panturrilha ajuda a tolerar melhor, e a massagem de recuperação rende bem nesse tipo de fadiga muscular.

Quantas vezes por semana posso jogar sem me lesionar?

+

O estudo brasileiro identificou que jogar com frequência muito alta, sessões acima de 3 horas e voltar cedo de uma lesão prévia são os maiores fatores de risco. Para o amador, 2-3 vezes por semana com sessões controladas é mais seguro — combinado com fortalecimento de cotovelo, ombro e panturrilha. Técnica também conta: os recreativos se lesionam mais que os profissionais por hora jogada.

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Referências

Fontes citadas neste texto · revisões sistemáticas, RCTs, documentos oficiais e literatura técnica.

  1. 01
    Rodrigues FL, Barone PS, Penha RS, Franco IP (2024). Injury Epidemiology in Beach Tennis: Incidence and Risk Factors. Acta Ortopédica Brasileira. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10962065/
  2. 02
    Berardi M, Lenabat P, Fabre T, Ballas R (2019). Beach tennis injuries: a cross-sectional survey of 206 elite and recreational players. The Physician and Sportsmedicine. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31356120/
  3. 03
    Karanasios S, et al (2021). The Beneficial Effects of Eccentric Exercise in the Management of Lateral Elbow Tendinopathy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Clinical Medicine, 10(17):3866. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8432114/
  4. 04
    Desjardins-Charbonneau A, et al (2015). The Efficacy of Manual Therapy for Rotator Cuff Tendinopathy: A Systematic Review and Meta-analysis. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, 45(5):330-50. www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2015.5455
  5. 05
    Guo J, Li L, Gong Y, et al (2017). Massage Alleviates Delayed Onset Muscle Soreness after Strenuous Exercise: A Systematic Review and Meta-Analysis. Frontiers in Physiology, 8:747. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5623674/
  6. 06
    Jafarnezhadgero A, et al (2021). Long-term training on sand changes lower limb muscle activities during running in runners with over-pronated feet. BioMedical Engineering OnLine, 20:23. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8627070/
  7. 07
    Lejeune TM, Willems PA, Heglund NC (1998). Mechanics and energetics of human locomotion on sand. Journal of Experimental Biology, 201(13):2071-80. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9622579/
  8. 08
    Grant B, et al (2022). Why does the metabolic cost of walking increase on compliant substrates?. Journal of the Royal Society Interface, 19(196). pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9709563/

Este conteúdo tem caráter informativo · não substitui avaliação de profissional de saúde habilitado. Em quadros clínicos, sempre consulte fisioterapeuta, médico ou profissional regulamentado.

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